Pecuária-Negócios: Coreia do Sul é 6º país a embargar carne brasileira

BRASÍLIA, DF, 18 de dezembro (Folhapress) – A Coreia do Sul tornou-se o sexto país a impor restrições às importações de carne bovina brasileira por medo de contaminação pela doença conhecida como mal da vaca louca. A informação foi confirmada hoje pelo Ministério da Agricultura.

Japão, China, África do Sul, Arábia Saudita e Egito já haviam notificado o governo brasileiro sobre a decisão de suspender temporariamente as compras de carne do país. O Egito proibiu a importação de carnes apenas do Paraná, Estado onde foi detectada a doença em um animal morto em dezembro de 2010.

O Brasil analisa agora quais medidas poderão ser tomadas no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) para impedir uma escalada das restrições comerciais ao produto.

O secretário de defesa agropecuária, Ênio Marques, fará amanhã uma reunião com técnicos da organização, na Suíça, para expor o caso. Ele será acompanhado por diplomatas brasileiros.

O governo argumenta que não há razões para que parceiros comerciais do Brasil suspendam a compra de carne, já que a própria OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) decidiu manter o status de risco insignificante para a doença no país.

Num primeiro momento, o Brasil acionou adidos agrícolas para apresentar as explicações dos técnicos do governo sobre o caso. Além dos países que anunciaram embargos, foram planejadas vinte visitas técnicas aos principais destinos do produto no exterior.

As restrições mais preocupantes foram as impostas por Arábia Saudita e Egito.

A Arábia Saudita, que anunciou bloqueio total das importações do produto, é o décimo maior destino da carne brasileira no exterior.

O Egito, quarto maior importador do produto, anunciou embargo apenas à carne de fazendas do Paraná -Estado onde foi identificado o agente causador do mal.

Os demais países têm peso limitado na pauta de exportações de carne bovina brasileira.

De janeiro a outubro, o Brasil exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas do produto. Japão, China, África do Sul e Coreia do Sul responderam juntos por 1,5% das vendas do Brasil no exterior no período.

O animal portador do agente causador da vaca louca morreu em dezembro de 2010 em uma fazenda do município de Sertanópolis, no Paraná.

O episódio só foi divulgado pelo governo brasileiro em 7 de dezembro deste ano, dois anos depois. Segundo o governo, não há risco de contaminação e o país não possui a doença.

O caso foi considerado “não clássico”, já que o animal não desenvolveu o mal e morreu por outros motivos. A hipótese defendida pelo Ministério da Agricultura é que tenha ocorrido uma “mutação espontânea” que deu origem ao agente causador da doença.